Ciências Biológicas
Ecologia
Resumo
A dengue permaneceu como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, agravada pela resistência crescente do Aedes aegypti aos inseticidas sintéticos e pela perda de biodiversidade urbana, que reduziu a presença de seus predadores naturais. Diante desse cenário, o projeto buscou desenvolver alternativas sustentáveis e de baixo custo para o controle do vetor, com base no potencial larvicida de extratos etanólicos de plantas nativas da Caatinga — angico (Anadenanthera colubrina), pereiro (Aspidosperma pyrifolium), jurema-preta (Mimosa tenuiflora), aroeira (Myracrodruon urundeuva), quixabeira, malva-branca, umbuzeiro, imburana, catingueira e pau-ferro. As folhas foram coletadas na zona rural, secas, maceradas em etanol 70% e submetidas à maceração para obtenção dos extratos. Foram produzidas pastilhas larvicidas biodegradáveis à base de gelatina e amido de milho, formuladas para liberar os compostos bioativos de forma lenta e controlada ao entrarem em contato com a água. Os ensaios larvicidas e de oviposição foram conduzidos com larvas e fêmeas de A. aegypti, avaliando-se os efeitos isolados e combinados dos extratos em condições laboratoriais e de campo. Armadilhas de postura tratadas com as pastilhas foram distribuídas em bairros do município de Salgueiro (PE), possibilitando o monitoramento populacional do vetor. Os impactos ecológicos foram avaliados por meio de testes com microrganismos do solo e ensaios de alelopatia em sementes de alface. Tecnologias móveis foram utilizadas para divulgar informações e promover a educação em saúde, ampliando o alcance e a participação comunitária. Os resultados demonstraram que os extratos apresentaram efeito larvicida tanto isolado quanto sinérgico. A combinação de larvicidas naturais com o uso de tecnologias acessíveis mostrou-se eficaz para o controle do A. aegypti, contribuindo para o fortalecimento da saúde pública, a valorização da biodiversidade da Caatinga e o incentivo à educação científica e ambiental.
Palavras-chave: controle biológico, plantas da Caatinga, sustentabilidade