Ciências Biológicas
Botânica
Resumo
O projeto teve como motivação inicial a pandemia de Covid-19, quando protocolos de fisioterapia olfatória evidenciaram o potencial terapêutico de óleos essenciais na recuperação de anosmia. A partir dessa observação, surgiu a questão norteadora: como padronizar e comparar métodos de extração de óleos essenciais e hidrolatos de espécies aromáticas, avaliando rendimento, composição química e notas aromáticas (picante, floral, herbal e amadeirado). Foram selecionadas folhas, flores e frutos com aroma pronunciado. Folhas foram cortadas, ramos desfolhados e flores incluídas integralmente. O epicarpo de frutos cítricos foi utilizado, evitando o mesocarpo. As amostras foram pesadas e distribuídas em balões contendo água destilada, padronizando-se o volume conforme a massa vegetal. As hidrodestilações foram realizadas simultaneamente em dois sistemas: Dean-Stark e Liebig. Após aproximadamente duas horas de destilação, formou-se solução bifásica: camada superior de óleo essencial e inferior de hidrolato. A análise química dos óleos essenciais foi realizada por HPLC-MS e CG-MS para identificação e quantificação dos metabólitos secundários. Observou-se que o condensador Dean-Stark promoveu maior diversidade química, enquanto o método Liebig apresentou composição mais uniforme. Já os hidrolatos, embora menos concentrados, apresentaram compostos hidrossolúveis ausentes nos óleos essenciais, reforçando seu potencial biológico e aromático. Conclui-se que o método de extração influencia diretamente a composição química e o valor terapêutico dos óleos essenciais. O projeto preenche lacunas existentes na literatura sobre comparação direta entre óleos e hidrolatos e fornece subsídios para futuras pesquisas em fitoquímica, farmacognosia e biotecnologia vegetal.
Palavras-chave: óleos essenciais, metabólitos secundários, destilação