Ciências Biológicas
Microbiologia
Resumo
A poluição por microplásticos nas praias do Rio Grande do Norte tem gerado impactos preocupantes à biodiversidade marinha e à saúde humana, intensificados pelo descarte inadequado de resíduos plásticos. Diante dessa realidade, torna-se urgente o desenvolvimento de soluções sustentáveis e tecnologicamente viáveis para a substituição de plásticos convencionais por materiais biodegradáveis. Neste cenário, a celulose bacteriana (CB), subproduto da fermentação da kombucha — bebida obtida a partir do chá adoçado da Camellia sinensis — surge como alternativa promissora. Produzida por bactérias acéticas presentes no consórcio simbiótico (SCOBY), essa película de celulose apresenta alta pureza, biodegradabilidade, resistência mecânica e potencial de aplicação em embalagens sustentáveis. O presente estudo visa otimizar a produção de CB a partir da kombucha, utilizando estrutura já disponível no laboratório de biotecnologia do campus. Foram avaliadas diferentes concentrações de sacarose (10–25%) e faixas de temperatura (25–35 °C), por meio de um delineamento composto central, a fim de maximizar o rendimento de celulose durante o processo fermentativo. As amostras obtidas foram purificadas e caracterizadas quanto à resistência térmica, solubilidade e biodegradabilidade, com vistas à aplicação futura na produção de bioplásticos. A otimização do processo fermentativo da kombucha, por meio do ajuste da concentração de sacarose e da temperatura de incubação, possibilitou o aumento do rendimento de celulose bacteriana, utilizada na produção de canudos biodegradáveis. O material obtido apresentou boas características físicas e aspecto semelhante aos canudos convencionais, além de demonstrar elevado potencial de biodegradação, atingindo cerca de 53% de decomposição em 45 dias. Esses resultados evidenciam a viabilidade da celulose bacteriana como uma alternativa sustentável aos canudos plásticos, contribuindo para a redução do impacto ambiental.
Palavras-chave: película celulósica, microrganismos, sustentabilidade