Ciências Exatas e da Terra
Química
Resumo
A presença de microplásticos na água potável tem sido amplamente comprovada por estudos recentes, reforçando a necessidade de métodos simples e acessíveis para sua detecção. O problema da pesquisa consistiu em identificar se a água consumida pelos estudantes da E.M. Profª Lenita de Sea Nachif e os córregos da Região Anhanduizinho continham partículas compatíveis com microplásticos. Para isso, foi desenvolvida a solução BlueCheck, um reagente à base de azul de metileno capaz de aderir a superfícies poliméricas, evidenciadas sob luz ultravioleta. Foram analisadas 162 amostras de água, sendo 122 de residências e 40 de córregos locais. Os estudantes responderam a questionários sobre hábitos de consumo: a maioria utiliza água diretamente da torneira (105), consome água refrigerada (67) e armazena água em recipientes plásticos (93). As amostras foram coletadas com mãos limpas, filtradas em papel filtro e observadas sob a lâmpada UV. A solução BlueCheck foi preparada com azul de metileno, água destilada, álcool 70% e conservante, e os testes foram acompanhados pelo INFI/UFMS. Os resultados indicaram que 25,41% das amostras domiciliares apresentaram entre 1 e 12 partículas de microplásticos, com maior frequência entre 1–6 partículas. Nos córregos, houve variação entre os pontos: Lageado (10 partículas), Anhanduizinho (7), Bandeira (5) e Bálsamo (0), refletindo diferenças no impacto urbano e deposição de resíduos. A maioria dos estudantes (100) não conhecia o tema microplásticos, destacando o potencial educativo do projeto. Conclui-se que o BlueCheck é uma ferramenta eficaz, de baixo custo e aplicável ao monitoramento comunitário da qualidade da água, promovendo protagonismo estudantil, alfabetização científica e conscientização ambiental. O método demonstra potencial para uso em escolas, agentes de saúde e ações de ciência cidadã.
Palavras-chave: Bluecheck, Azul de metileno, Microplásticos