Ciências Humanas
Ciência Política
Resumo
A pesquisa analisa a violência e a crescente complexidade das operações policiais na Baixada Santista, com destaque para as ações “Operação Escudo” e “Operação Verão” em 2024, marcadas por mortes e pela intensificação do sentimento de insegurança na população. Diante desse cenário, o estudo propõe refletir sobre o papel da arte como forma de resistência, denúncia e transformação social. A investigação parte da ideia de que a arte — como expressa o rapper Emicida, “vem da nossa dor, mas também da nossa beleza” — é uma via para romper ciclos de exclusão, resgatar a dignidade e fortalecer a memória coletiva. A metodologia adotada combina análise documental, entrevistas e observação de campo em projetos culturais da região, como o “Tamborizando”, a Vila Criativa e atos artísticos de resistência. Foram entrevistados diferentes segmentos sociais, entre eles o capitão policial, a vereadora municipal e representantes de movimentos sociais - Mães de Maio, Trupe Olho da Rua, Instituto Querô e Cordão da Mentira. As falas revelam a tensão entre a repressão policial e as iniciativas culturais que buscam ressignificar a dor coletiva em expressão política e estética. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que mais de 80% das vítimas da letalidade policial são negras e jovens, evidenciando o viés racial das ações estatais. No contraponto, o movimento artístico emerge como espaço de resistência e voz das periferias. A arte, nesse contexto, atua como instrumento de conscientização e enfrentamento das violências impostas pelo Estado, reafirmando a capacidade criativa das comunidades em transformar a exclusão em potência e o silêncio em narrativa. Como produto final, o grupo produziu um curta metragem autoral, de caráter educativo, que visa estimular a consciência coletiva e ampliar o debate sobre a violência e o poder transformador da arte. O vídeo foi publicado no YouTube em 2025, com consentimento dos participantes.
Palavras-chave: Violência, Arte, Resistência