Ciências Humanas
Geografia
Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar de que maneiras as atividades da Sociedade Cruzeiro do Sul contribuem para a construção de um senso de pertencimento e etnicidade entre os membros da comunidade negra de Novo Hamburgo-RS. A pesquisa surge da necessidade de aproximar o objeto de estudo da realidade que nos é familiar enquanto jovens periféricas da Região Metropolitana de Porto Alegre, valorizando histórias e espaços que, embora próximos, seguem invisibilizados. Nesse movimento de busca crítica e afetiva, encontramos a Sociedade Cruzeiro do Sul, clube social negro que transformou sua criação em símbolo de resistência e identidade em um município marcado pela branquitude como narrativa histórico-territorial. Eleger a Sociedade como objeto de estudo é, portanto, um gesto de reconhecimento e valorização das territorialidades negras que compõem o Vale dos Sinos, o Rio Grande do Sul e o Brasil. Para alcançar os objetivos, apresenta-se uma fundamentação teórica centrada nos conceitos de território, negritude, carnaval e associativismo negro, com base em pesquisa bibliográfica. O estudo é qualitativo, de caráter ex post facto, articulado à observação participante realizada no campo. Além disso, organizou-se um Grupo de Discussão com cinco mulheres da Sociedade, entre 23 e 75 anos. Como resultado parcial, observa-se a presença constante da velha guarda na instituição, atuando na organização de eventos e na transmissão de saberes às novas gerações. Apesar de em menor número, as mulheres também participam ativamente das festividades, demonstrando a relevância de suas ações para a preservação da memória e da identidade negra local. Em síntese, a Sociedade Cruzeiro do Sul reafirma cotidianamente sua identidade negra por meio de desfiles carnavalescos e outras atividades, reforçando o entrelaçamento entre passado, presente e futuro na construção simbólica da comunidade.
Palavras-chave: Sociedade Cruzeiro do Sul, Comunidade negra, Identidade territorial