Ciências da Saúde
Saúde Coletiva
Resumo
O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios persistentes na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. Uma das manifestações mais críticas e estressantes para indivíduos com TEA, suas famílias e cuidadores são as crises de desregulação sensorial e emocional. Estas crises, que podem se manifestar como meltdowns (colapsos) ou shutdowns (retraimento), são frequentemente desencadeadas por sobrecarga sensorial ou mudanças inesperadas e representam um risco significativo para a segurança e o bem-estar da criança. Atualmente, o manejo dessas crises depende, em grande parte, da intervenção humana e reativa, sendo ineficaz em muitos casos devido à dificuldade em identificar o momento exato em que a crise se inicia (fase prodrômica). Pesquisas em neurofisiologia e psicologia têm estabelecido o aumento abrupto da frequência cardíaca (FC) como um marcador biométrico objetivo e precoce de ansiedade, estresse e desregulação do sistema nervoso autônomo (SNA) em indivíduos com TEA, antes que o colapso comportamental se manifeste. Paralelamente, a musicoterapia neurológica tem demonstrado notável eficácia na modulação do SNA. Sabe-se que frequências musicais específicas (Hertz), especialmente tons puros ou batidas binaurais nas faixas Theta ou Delta, podem induzir estados de relaxamento e equilíbrio cerebral. O trabalho propõe a convergência dessas duas áreas: a identificação fisiológica precoce de estresse (via biofeedback) e a intervenção sonora imediata e personalizada (via neuromodulação por frequência). O objetivo é criar um sistema autônomo e discreto capaz de atuar preventivamente, antes que a crise atinja seu pico destrutivo.
Palavras-chave: Tecnologia Assistiva, Autismo, Musicoterapia