Ciências Sociais e Aplicadas
Planejamento Urbano e Regional
Resumo
As mudanças climáticas e a urbanização desordenada intensificam o fenômeno das ilhas de calor urbano, no qual áreas densamente construídas registram temperaturas muito mais altas do que regiões com vegetação. Em São Paulo, a comunidade de Paraisópolis, localizada na zona sul, representa um exemplo evidente dessa desigualdade térmica: durante ondas de calor, sua temperatura pode ser até 9 °C maior que a do bairro vizinho, Morumbi. Esse contraste evidencia como o calor excessivo está ligado a fatores sociais, ambientais e urbanos. O projeto “Sistema Termoneblina” surge como uma solução acessível e sustentável para mitigar esse problema em territórios vulneráveis. O sistema consiste em um aparelho de baixo custo que libera névoa d’água por meio de microaspersores, reduzindo a temperatura ambiente de forma localizada. A pesquisa teve caráter qualitativo e aplicado, unindo observação de campo, coleta de dados com 200 moradores e testes experimentais em laboratório. O protótipo foi montado com materiais recicláveis. Foi utilizado garrafas PET, tubos de silicone, bomba submersa e fonte de 12 V reaproveitada de um notebook. Nos testes laboratoriais, o Termoneblina reduziu a temperatura em até 2 °C, comprovando sua eficiência térmica e potencial de aplicação comunitária. O projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), 7 (Energia Limpa e Acessível) e 11 (Cidades Sustentáveis). A próxima etapa é adaptar o sistema para funcionar com energia cinética, tornando-o totalmente autônomo, ampliando sua aplicação em outras comunidades e reforçando o papel da ciência como ferramenta de transformação social.
Palavras-chave: ilhas de calor urbano, sustentabilidade social, inovação comunitária